Mesmo a inquietação de nosso tempo é inquieta. Inquietar-se é estar incomodado com algo mas ocorre que este estar incomodado, em nosso tempo, reside um incomodo subjacente, ou seja, uma não aceitação desta condição vital de se incomodar.
Em tempos de tecnologia a circulação de informação é, como dizem, em “tempo real” contudo a capacidade de assimilar tal enxame não é “em tempo real”. Desta forma somos convocados a dar respostas a circunstâncias inquietantes acompanhando a velocidade do mundo e é a isto que nomeei inquietação da inquietação.
Esta representa a necessidade de produzir um discurso, assumindo que somos parte ativa da comunidade, em que fica nítida a diferença entre a fala, as palavras, e o dizer, seu significado. Isto por que desde a queda da idéia de sistema explicativo da realidade perdeu-se, aos poucos, a urgência pela reflexão.
A perda do anseio pela reflexão significa, por seu turno, a perda do vigor e a isto nomeei liquefação, sem qualquer novidade ou originalidade. A perda do vigor é a transformação das relações significativas, digo, a pergunta pelo sentido de nossa existência, em última instância.
Nisto liquefaz a compreensão que temos do mundo e de nós mesmos emaranhada num contingente infindo de informações e necessidades a que não temos capacidade para resolver. Isto não quer dizer que devamos voltar aos sistemas holísticos mas que algo precisa servir como meio de recuperar o vigor da nossa compreensão da realidade, pelo bem de nossa saúde emocional.
Diante da liquefação da nossa realidade interior e exterior é que vemos os fenômenos de adesão a religiões e propagação de clichês, a chamada criação dos formadores de opinião que é, de fato, somente o instinto de rebanho.
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